terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Crítica - Conduta de Risco

Acredito estar tendo um sério problema com a maneira fria como os filmes têm sido desenvolvidos recentemente. A última vez que senti algo parecido com o que senti agora a pouco, enquanto assistia a este “Conduta de Risco” (mais um título nacional tão ridículo, apelativo e gratuitamente descartável quanto “Senhores do Crime”), foi quando assisti a “Desejo e Reparação”. Não sei exatamente o porquê, mas a maneira fria como tais filmes foram desenvolvidos acabaram colocando uma espécie de muralha anti-sensibilidade artística entre mim e as obras cinematográficas em questão. É aí que o leitor comenta: “___ Isso acontece porque você simplesmente não gosta de filmes desenvolvidos friamente.”. Pois eu digo justamente o contrário, adoro filmes frios. Querem uma prova disso? O meu 2° filme predileto é “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, cá entre nós, existe filme mais frio que este? Pois é, acredito que a única escapatória que me resta é apelar ao clichê e dizer que não se fazem mais filmes frios, sensível e artisticamente, como se faziam outrora.






Ficha Técnica:
Título Original: Michael Clayton
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: http://michaelclayton.warnerbros.com
Estúdio: Castle Rock Entertainment / Mirage Enterprises / Section Eight / Samuels Media
Distribuição: Warner Bros. Pictures / Imagem Filmes
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy
Produção: Jennifer Fox, Kerry Orent, Sydney Pollack e Steve Samuels
Música: James Newton Howard
Fotografia: Robert Elswit
Desenho de Produção: Kevin Thompson
Direção de Arte: Clay Brown
Figurino: Sarah Edwards
Edição: John Gilroy
Efeitos Especiais: Handmade Digital
Elenco: George Clooney (Michael Clayton), Tom Wilkinson (Arthur Edens), Sydney Pollack (Marty Bach), Michael O'Keefe (Barry Grissom), Tilda Swinton (Karen Crowder), Dennis O'Hare (Sr. Greer), Julie White (Sra. Greer), Austin Williams (Henry Clayton), Jennifer Van Dyck (Ivy), Frank Wood (Gerald), Bill Raymond (Gabe Zabel), Sharon Washington (Pam), Ken Howard (Don Jefferies), Rachel Black (Maude), Christopher Mann (Tenente Elston), Cynthia Mace (Wendy - voz), Michael Countryman (Evan - voz), Jonathan Walker (Del - voz), Thomas McCarthy (Walter - voz), Danielle Skraastad (Bridget Klein - voz) e Wai Chan (Traficante chinês).



Sinopse: Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, tendo por função limpar os nomes e os erros de seus clientes. Tendo trabalhado anteriormente como promotor de justiça e vindo de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Bach & Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele nota a pessoa em que se tornou.



Michael Clayton – Trailer



Crítica:



Iniciando esta análise com uma péssima metáfora: “Conduta de Risco” me fez imaginar uma sardinha engarrafada em um recipiente para salmão. O longa possui tudo para engrenar o expectador em uma ótima experiência cinematográfica, mas existe uma pessoa por trás da estória que não permite que isso realmente aconteça. O nome desta pessoa? Tony Gilroy. E quando me refiro a este cidadão, me refiro ao Tony Gilroy roteirista e não ao Tony Gilroy diretor (apesar deste não colaborar muito para o desenvolvimento da trama). Contando com uma trama extremamente interessante, bem como o seu protagonista, o diretor e roteirista deste “Conduta de Risco” parece se perder no desenvolvimento do filme. Temos aqui uma estória que, por si só, se revela deveras cativante abordando o maior mal do mundo capitalista em que vivemos: as grandes coorporações. Mas Gilroy (roteirista) não se esforça muito a fim de criar-nos um laço realmente envolvente com a trama. Quando o assunto é o desenvolvimento de seu protagonista, a situação se revela ainda mais alarmante. Michael Clayton, magistralmente interpretado por George Clooney, é uma pessoa repleta de dilemas. Sua vida se resume a trabalhar em um emprego que detesta e acredita ser politicamente incorreto, mas devido a certos infortúnios (que varia desde o seu vício nos jogos de azar, até em uma fracassada tentativa de transformar-se em empresário) fazem-no tornar-se cada vez mais dependente do salário que este lhe proporciona. A esta altura o leitor me pergunta: “___ Temos aqui um personagem dos mais interessantes, não?”. Correto, mas o roteiro de Gilroy não o desenvolve de maneira cativante o bastante a ponto de fazer com que o espectador crie uma relação realmente forte com o mesmo. Não bastasse isso, a estória do longa é desenvolvida com a mesma frieza. Apesar de excelente, a trama se revela tão distante que por vários minutos senti-me perdido em meio à mesma. Com todos estes defeitos, o longa em questão se revela uma experiência interessante, mas está longe de ser tão magnífico quanto deveria.



Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.




____________________________________________________________________

Crítica - Senhores do Crime

Contrariando a maioria dos cinéfilos, não considero os títulos nacionais tão ruins como afirmam. “Sangue Negro”, por exemplo, foi um título muito criticado pela grande maioria dos admiradores da Sétima Arte, mas eu, sinceramente, não o achei ruim. Muito pelo contrário, achei bem superior a “Haverá Sangue” (título traduzido ao pé da letra de “There Will Be Blood”). Entretanto, em alguns casos a tradução nacional é visivelmente pavorosa, principalmente quando nutre forte apelo comercial, como é o caso deste “Senhores do Crime”. Em primeiro lugar, tal título é extremamente falso, pois somos induzidos a crer que o longa irá abordar as estórias de grandes mestres do crime, tais como Charles “Lucky” Luciano ou Alphonsus Gabriel Capone. Em 2° lugar o título é comercialmente apelativo, pois a palavra “senhor” ligada à palavra “crime” têm uma união indelicadamente chamativa. Em 3° e último lugar, o título é visivelmente inferior e é bem menos ligado à estória do filme que o título original. Tendo em vista que todos os personagens do longa possuem ascendência ou nacionalidade russa, ou dos demais países do leste europeu, “Eastern Promises” condiz mais com a proposta da obra.






Ficha Técnica:
Título Original: Eastern Promises
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Inglaterra): 2007
Site Oficial: www.focusfeatures.com/easternpromises
Estúdio: BBC Films / Scion Films Limited / Focus Features / Serendipity Point Films / Kudos Film and Television
Distribuição: Focus Features / PlayArte
Direção: David Cronenberg
Roteiro: Steven Knight
Produção: Robert Lantos e Paul Webster
Música: Howard Shore
Fotografia: Peter Suschitzky
Desenho de Produção: Carol Spier
Direção de Arte: Rebecca Holmes
Figurino: Denise Cronenberg
Edição: Ronald Sanders
Efeitos Especiais: Mr. X / Invisible Pictures
Elenco: Naomi Watts (Anna), Viggo Mortensen (Nikolai), Vincent Cassel (Kirill), Armin Mueller-Stahl (Semyon), Josef Altin (Ekrem), Mina E. Mina (Azim), Aleksandar Mikic (Soyka), Sarah-Jeanne Labrosse (Tatiana), Raza Jaffrey (Dr. Aziz), Sinéad Cusack (Helen), Jerzy Skolimowski (Stepan), Shannon-Fleur Roux (Maria), Donald Sumpter (Yuri), Tereza Srbova (Kirilenko) e Mia Soteriou (Esposa de Azim).



Sinopse: Anna (Naomi Watts) é uma parteira que trabalha em um hospital de Londres. Um dia ela testemunha a morte de uma jovem, durante um parto realizado em pleno Natal. Ela decide dar a notícia de seu falecimento pessoalmente, o que a faz pesquisar sobre sua identidade e família. A busca acaba colocando-a em contato com o lucrativo tráfico do sexo, comandado por uma organização criminosa da Rússia. Logo Anna conhece Nikolai (Viggo Mortensen), um homem violento e misterioso que é mais do que aparenta.



Eastern Promises – Trailer



Crítica:



Nunca considerei Viggo Mortensen um grande ator. Sua carreira é apenas correta e são raros os papéis onde o astro mostra uma atuação realmente acima da média (a última atuação interessante de Mortensen foi em 2003 quando encarnou as fortes crises de insegurança de seu personagem Aragorn, filho de Aratorn, no excelente “O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei”. Ouve também “Marcas da Violência” onde o ator se saiu muito bem, mas nada que me fizesse mudar de opinião sobre o mesmo. Naomi Watts também foi uma atriz que nunca me convenceu muito. Suas únicas atuações convincentes, ao meu ver, estão em filmes como “Cidade dos Sonhos” e “21 Gramas”. Baseando-se nisso, é deveras estranho que a maior qualidade deste longa resida justamente na química desenvolvida entre ambos os atores, sobretudo Mortensen. Diferentemente de alguns de seus filmes, neste aqui sua atuação é de importância crucial. O ator encarna o personagem com uma naturalidade incrível, principalmente quando utiliza o sotaque russo do mesmo de maneira bem convincente. Cronenberg, por sua vez, realiza uma ótima direção, contando com travelings horizontais muitíssimo bem empregados. Contudo, o grande trunfo do longa reside na cautela com que o roteiro do mesmo foi redigido. Ao mesmo tempo em que este nos oferece um intróito muito desinteressante e arrastado, além uma abordagem demasiadamente previsível de seu protagonista (quando sabemos a verdadeira função deste na estória não conseguimos nos surpreender, pois o roteiro dá pistas disto a todo momento), o mesmo, paradoxalmente, se revela o ponto alto do longa abordando a Máfia Russa de uma maneira raramente vista na Sétima Arte. Aqui, esta retratação é realizada da maneira mais surpreendente o possível, fazendo uso desde os gestos típicos dos membros desta forte organização criminosa até o significado que cada imagem tatuada no corpo de seus gangsters possui. Infelizmente o longa decepciona, seu início não cativa e quando o filme passa a ter algum ritmo, o mesmo se encerra abruptamente.



Avaliação Final: 7,5 na escala de 10,0.




____________________________________________________________________

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Crítica - Onde os Fracos Não Têm Vez

Lembro-me que em meu artigo sobre os possíveis vencedores do Oscar apostei em “Onde os Fracos Não Têm Vez” como vencedor do prêmio principal. Entretanto, na época ainda não o havia assistido e para realizar tal afirmação apostei na popularidade que o mesmo vem conquistando entre os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Após o assistir a pouquíssimos dias atrás concluí que o mesmo é um filme revolucionário, inovador e inteligente, ou seja, a típica obra que geralmente recebe uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, mas infelizmente não vence o prêmio. Isso acontece porque a Academia geralmente gosta de ver produções arriscando em inovar a linguagem cinematográfica, mas os membros que compõe a mesma acabam dando preferência a filmes, digamos, mais redondinhos. Quer um exemplo disso? Em 1995 o excelente “Pulp Fiction” perde o Oscar de Melhor Filme para o apenas ótimo “Forrest Gump”. Contudo, mesmo o longa dos Cohen tendo poucas chances de derrotar o de Paul Thomas Anderson (a não ser que este também seja inovador demais), minha aposta para melhor filme continua sendo este ótimo (e apenas ótimo) “Onde os Fracos Não Têm Vez”.






Ficha Técnica:
Título Original: No Country for Old Men
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.nocountryforoldmen.com
Estúdio: Paramount Vantage / Miramax Films / Mike Zoss Productions / Scott Rudin Productions
Distribuição: Miramax Films / Paramount Pictures
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen, baseado em livro de Cormac McCarthy
Produção: Ethan Coen, Joel Coen e Scott Rudin
Música: Carter Burwell
Fotografia: Roger Deakins
Desenho de Produção: Jess Gonchor
Direção de Arte: John P. Goldsmith
Figurino: Mary Zophres
Edição: Ethan Coen e Joel Coen
Efeitos Especiais: Luma Pictures / Tinsley Transfers
Elenco: Tommy Lee Jones (Ed Tom Bell), Javier Bardem (Anton Chigurh), Josh Brolin (Llewelyn Moss), Woody Harrelson (Carson Wells), Kelly Macdonald (Carla Jean Moss), Garrett Dillahunt (Wendell), Tess Harper (Loretta Bell), Barry Corbin (Ellis), Beth Grant (Agnes), Kit Gwin (Molly) e Rodger Boyce (Xerife de El Paso).



Sinopse: Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).



No Country For Old Men - Trailer



Crítica:



Todo e qualquer filme que tenha a intenção de inovar de alguma forma, por pior que seja, merece algum respeito por parte dos espectadores. Quando o filme tem a intenção de inovar e se revela uma experiência agradabilíssima, o mesmo merece, e deve, ser respeitado e idolatrado por todos aqueles que se dizem cinéfilos. Mas não restam dúvidas de que inovar é algo deveras arriscado, pois exige total ousadia por parte dos responsáveis pelo projeto. Os responsáveis por este “Onde os Fracos Não Têm Vez” foram extremamente ousados e arriscaram bastante, realizando um longa metragem muitíssimo competente, apesar de falho em seu desfecho. Alicerçado por uma sinopse extremamente simples, o longa metragem, magistralmente dirigido pelos irmãos Cohen, se desenvolve de maneira sensacional, trazendo até nós a estória de uma maleta com dois milhões de dólares em seu interior e três personagens ligados a mesma, sendo dois diretamente e um indiretamente. Os protagonistas da estória se revelam tipos bastante interessantes. Temos aqui um ex-militar ambicioso, cuja ganância o leva a pôr em risco a vida da própria esposa a fim de se apoderar da maleta; um xerife cansado e às vésperas de sua aposentadoria, cuja vontade de combater o crime é visível, mas não tão visível quanto o desgaste físico causado pela idade e aquele que considero um dos poucos defeitos do filme: o vilão, cujos maneirismos me fizeram lembrar o Professor Severo Snape, da série “Harry Potter”. Não fosse a soberba atuação de Javier Bardem tal personagem teria me irritado profundamente. E já que mencionei os personagens gostaria de citar que uma grande curiosidade do filme é a alternância entre seus protagonistas. Em certa parte, por exemplo, quando um personagem parece estar assumindo o papel principal do longa ele, inesperada e bruscamente, sai de cena, sendo substituído por um outro protagonista. “___ E esta reviravolta indelicada prejudica o filme?” ___ Me pergunta o leitor. Muito pelo contrário, este é o grande trunfo do longa. É isto que o transforma em algo tão inovador, surpreendente e digníssimo de se assistir.



Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.




____________________________________________________________________

Crítica - Juno

Quando li em um site especializado em Cinema (mais precisamente o Cinema em Cena) que este “Juno” havia sido indicado a quase todas as principais categorias do Oscar deste ano logo, imaginei que o mesmo seria o “Pequena Miss Sunshine” de 2008. Afinal de contas, trata-se de um filme leve e simples, com um senso de humor extremamente descompromissado, personagens extravagantes, aborda temas complexos com singularidade e é claro, é uma obra cinematográfica extremamente redondinha (com o perdão de ter colocado o adjetivo em sua forma diminutiva, mas isto acaba retratando bem o que o filme representa). Enfim, é o típico longa que acaba caindo nas graças dos componentes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e é indicado ao Oscar. Contudo, ao contrário de “Pequena Miss Sunshine”, considerei “Juno” fascinante e digno de todas as indicações que conseguiu.







Ficha Técnica:
Título Original: Juno
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Hungria): 2007
Site Oficial: www.foxsearchlight.com/juno
Estúdio: Fox Searchlight Pictures / Mandate Pictures / Mr. Mudd
Distribuição: Fox Searchlight Pictures
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Produção: Lianne Halfon, John Malkovich, Mason Novick e Russell Smith
Música: Matt Messina
Fotografia: Eric Steelberg
Desenho de Produção: Steve Saklad
Direção de Arte: Michael Diner e Catherine Schroer
Figurino: Monique Prudhomme
Edição: Dana E. Glauberman
Elenco: Ellen Page (Juno MacGuff), Michael Cera (Paulie Bleeker), Jennifer Garner (Vanessa Loring), Jason Bateman (Mark Loring), Allison Janney (Bren MacGuff), J.K. Simmons (Mac MacGuff), Olivia Thirlby (Leah), Eileen Pedde (Gerta Rauss), Rainn Wilson (Rollo), Daniel Clark (Steve Rendazo), Darla Vandenbossche (Mãe de Bleeker), Aman Johal (Vijay) e Valerie Tian (Su-Chin)




Sinopse: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma típica adolescente que toma as rédeas de sua vida de uma forma calma e despreocupada ao embarcar em uma emocionante aventura de nove meses a caminho da vida adulta. Esperta e muito peculiar, Juno tem seu próprio ritmo, mas por trás de seu exterior durão, existe uma garota que simplesmente tenta entender as coisas. Até que uma típica tarde entediante torna-se uma aventura quando ela decide transar com o charmoso e discreto Bleeker. Quando descobre que ficou grávida, Juno bola um plano para encontrar os pais perfeitos para o futuro bebê.



Juno - Trailer



Crítica:



A pessoa que ler a sinopse deste ótimo “Juno”, antes de conferir o mesmo, certamente imaginará que o longa irá abordar profundamente o tema “gravidez na adolescência”. Sim, o filme realmente aborda esta questão polêmica e atual, mas infelizmente não o realiza de maneira tão aprofundada como deveria realizar. É claro que, ao conferir esta cativante obra, o espectador verá algumas das dificuldades sociais, psicológicas e físicas pelas quais a protagonista terá de passar durante o período de gestação e, inclusive, há um diálogo entre esta e a provável futura mãe adotiva de seu filho que ilustra bem tal situação: “___ Você sabe, as pessoas encaram a gravidez em minha idade como sendo uma doença!”. Falando em diálogos inteligentes, afiados e ilustrativos, esta ótima comédia é recheada deles, tanto que por várias vezes lembrei-me dos filmes dirigidos por Woody Allen no final da década de 70 (e, sinceramente, não vejo como realizar um comentário mais favorável a uma obra deste gênero do que compará-la a um filme de Allen que, coincidentemente, é citado nesta obra). Outro ponto do longa que me fez lembrar os filmes de Allen é a composição de sua protagonista. Juno é uma típica adolescente neurótica, rabugenta, insegura (só para citar outro ótimo diálogo inserido no roteiro: “___ Não sei que tipo de garota eu sou!”) e irresponsável e a atuação de Ellen Page (que, adivinhem só, me remeteu a imagem de um Woody Allen mirim feminino) torna a protagonista ainda mais natural e cativante do que ela já é. E falando em Ellen Page, a atriz é a alma do filme. Que atuação! Que garota cativante! Page atuando é um colírio para os olhos! Page falando é música para os ouvidos! Falando a curto e grosso modo: Page é impagável! A leveza e a sutileza adotada pelo longa ao abordar um tema tão polêmico também é digna de aplausos, assim como sua fascinante trilha-sonora. Infelizmente, tal sutileza acaba sendo quebrada pelas diversas palavras de baixo calão desnecessariamente inseridas no roteiro e o seu final previsível também não é nada interessante. Ainda assim, uma “comédia teenage” atual e inteligente como poucas.



Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0




P.S.: Não adianta, Juno me cativou e por mais que eu tente, não consigo deixar de aumentar a nota do mesmo, nem que seja um mísero meio ponto. Portanto, onde se lia: Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0”, agora lê-se: Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0”.




____________________________________________________________________

Crítica - O Caçador de Pipas

Sempre comentei que o pior defeito que um filme pode conter é a presença de clichês e/ou estereótipos em seu contexto. Porém, nestes últimos dias tenho reparado que algo me incomoda muito mais do que a simples inserção de chavões no roteiro do filme: se trata dos insultos a inteligência do espectador (perdoem-me, mas não encontrei expressão mais conveniente para a ocasião). Do mesmo modo que os dois filmes da série “A Lenda do Tesouro Perdido” insulta a inteligência de seu público afirmando que os Estados Unidos são um país honrado e que sempre visou proteger os valores históricos de toda a humanidade (que em um ato de hipocrisia exacerbado, são representados por tesouros pertencentes exclusivamente aos Estados Unidos), esta bomba, baseada no best-seller de Khaled Hosseini, insulta o público ao tentar fazê-lo acreditar que a terra do Tio Sam é um grande mantedor da ordem e da justiça social em países subdesenvolvidos. Confirma mais detalhes de tamanha alienação abaixo.





Ficha Técnica Em Andamento


Sinopse: Em um país dividido e à beira da guerra, dois amigos de infância, Amir e Hassan, estão prestes a se separarem para sempre. É uma gloriosa tarde em Kabul e os céus explodem com a alegria contagiante de um torneio de pipas. Mas, depois da vitória daquele dia, um terrível ato de traição de um menino irá marcar suas vidas para sempre e dar início a uma busca épica pela redenção. Agora, depois de viver nos Estados Unidos durante 20 anos, Amir volta para um perigoso Afeganistão, sob o governo mão-de-ferro do Talibã, para enfrentar os segredos que ainda o assombram e aproveitar a única e última ousada chance que tem para consertar as coisas.



The Kite Runner - Trailer



Crítica:



O Caçador de Pipas” me remeteu, da maneira mais estranha o possível, à lembrança de “...E o Vento Levou”. Acalmem-se, não perdi a razão e já irei explicar o porquê desta bizarra analogia que realizei entre ambos os filmes. Comparar a obra de Forster com a de Flemming não é necessariamente um elogio, mas sim uma crítica negativa. Enquanto assistia a este “O Caçador de Pipas” tive a ligeira impressão de que diretor e roteirista decidiram transportar um dos maiores defeitos do vencedor do Oscar® de 1940, a alienação daquele. O longa em questão bem que poderia começar com uma narrativa ridícula como a obra-prima de Victor Flemming afirmando que, antes da invasão que os Ianques realizaram à parte sul dos Estados Unidos, latifundiários e escravos viviam em plena harmonia. O problema é que aqui os Ianques seriam substituídos pelos Comunistas, o sul estadunidense pelo Afeganistão e latifundiários e escravos respectivamente pelos burgueses e proletários. Contando com uma excelente premissa em mãos, Forster transforma o que tinha tudo para ser um grande filme em algo absurdamente conservador. Segundo o longa, antes da invasão comunista ao Afeganistão, os habitantes daquele país eram pessoas felizes e satisfeitas com o seu estilo de vida regado pelas “maravilhas” consumistas oferecidas pela Globalização (que sim, já existia, ao menos teoricamente, naquela época). Contudo, o longa afirma que tal invasão viria a ser o divisor de águas entre uma era gloriosa que viveu o Afeganistão pré-Guerra Fria e o inferno que o país se tornou após o ocorrido. Além de politicamente hipócrita, o longa em questão conta com o maior número de estereótipos que tive a infelicidade de testemunhar nos últimos dois anos, variando entre pessoas bondosas ao extremo, a ponto de serem estoicistas e indivíduos que se mostram extremamente cruéis apenas por prazer (não preciso dizer que muitos destes indivíduos são soldados comunistas, não é?). O longa ganha muita força graças à direção de Forster e seus minutos finais, mas o desfecho extremamente previsível é algo imperdoável.



Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.




____________________________________________________________________

Crítica - Rastros de Ódio

Uma coisa é certa, para um cinéfilo não há nada melhor do que poder acompanhar a um filme clássico que ficou marcado na história da Sétima Arte devido a sua importância à mesma. Mas uma coisa é um cinéfilo assistir ao filme, reconhecer as qualidades do mesmo, reparar nos defeitos (se tiver) e formar uma opinião sobre tal obra-cinematográfica, outra coisa é este mesmo cinéfilo se aventurar a publicar a opinião formada sobre o clássico. Infelizmente, é impossível dissertar sobre um clássico cinematográfico, citar alguns pontos negativos que o mesmo possui (se possuir) e desejar ser perfeitamente compreendido por 100% das pessoas que lerem tal dissertação. Por mais que você justifique o seu ponto de vista negativo acerca do filme, sempre haverá um fã do mesmo que discordará, ou pior, desrespeitará este seu ponto de vista. Isto certamente acontecerá comigo após criticar de maneira extremamente negativa este “Rastros de Ódio”, tido pela maioria dos cinéfilos como o melhor western de todos os tempos. De qualquer forma, não posso me abster de publicar a crítica do filme por mero capricho de agradar a todos os freqüentadores do “Cine-Phylum”. Portanto aqui está ela.






Ficha Técnica Em Andamento



Sinopse: Ethan Edwards (John Wayne) é um homem que parte em busca de vingança contra os índios que exterminaram sua família, ao mesmo tempo que tenta resgatar, com vida, sua sobrinha. Baseado em uma obra de Alan Le May, é um dos westerns mais clássicos já feitos.



The Searschers – Trailer



Crítica:



A mim pouco me importa que este lixo em forma de Cinema seja considerado por muitos um clássico da sétima arte. Me importa menos ainda saber que o mesmo ocupa sempre uma das primeiras posições em várias listas elaboradas por críticos de Cinema. O fato é que trata-se do filme mais superestimado de todos os tempos (superando até mesmo “Titanic” e “Os Imperdoáveis” neste aspecto). Mas antes fosse apenas um filme superestimado, já estaria de bom tamanho. O problema é que esta porcaria pode (e deve) ser considerada uma das maiores afrontas já realizadas à cultura indígena estadunidense. O argumento do longa é extremamente preconceituoso e eurocentrico e coloca o homem branco como sendo o “mocinho” da estória ao passo que o índio assume o papel do vilão, do indivíduo que comete atrocidades sem o menor resquício de clemência com o homem branco. Talvez o roteirista (imbecil) seja um estadunidense alienado que realmente acredita que os indígenas sejam os maiores responsáveis pelas carnificinas ocorridas na época. Talvez ele tenha se esquecido que foi o homem branco quem invadiu as terras dos nativos e covardemente, diga-se de passagem, travou diversas batalhas contra os mesmos utilizando armas de fogo ao passo que aqueles se limitavam a machados e arcos e flechas. Sinceramente, um filme lastimável do ponto de vista moral e o seu sucesso acerca do mundo todo é alarmante. Muito me admira Marlon Brando na noite em que enviou uma atriz disfarçada de índia para receber o Oscar de melhor ator que havia faturado por “O Poderoso Chefão” (meu filme predileto) não tenha ordenado que a mesma queimasse uma cópia deste “Rastros de Ódio” em frente a toda a Academia. Enfim, se do ponto de vista moral o filme é repugnante, asqueroso e fútil, do ponto de vista cinematográfico é muito bom, contando com uma ótima direção, atuações afiadas, um roteiro muito bom que, apesar de deplorável, moralmente falando, explora muito bem seus personagens e se desenrola de maneira dinâmica com o passar do tempo. A fotografia é a maior qualidade do longa.



Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.



____________________________________________________________________

Crítica - Casablanca

Considero “Casablanca” um filme perfeito, mas ainda assim, extremamente superestimado. Sim, esta é uma afirmação um tanto o quanto estranha, mas irei me justificar. O longa, muito bem dirigido por Michael Curtiz diga-se de passagem, se mostra extremamente eficiente em todos os seus aspectos. As atuações são fantásticas, a trilha sonora é marcante, a direção de Curtiz, como consta supra mencionado, é muito boa e o roteiro (eleito o melhor da história do Cinema, o que também figura um certo exagero) extrapola os limites da perfeição, explorando muito bem seus protagonistas e contando com vários dos diálogos mais marcantes do Cinema. Mesmo com tantos pontos a seu favor, o filme acaba sendo elevado a um patamar muito além de sua real qualidade. Só para se ter uma idéia, no ranking elaborado pela A.F.I. (American Film Institute), onde figuram os melhores filmes de todos os tempos falados em inglês, segundo o Instituto, o mesmo ocupa uma exagerada 3ª posição deixando para trás outras obras magníficas, tais como “O Poderoso Chefão – Parte II”, “Taxi Driver”, “Laranja Mecânica”, “Crepúsculo dos Deuses” e muitos outros que mereciam uma posição muito mais elevada no ranking, mais elevada que o próprio “Casablanca”.





Ficha Técnica Em Andamento



Sinopse: Casablanca é a rota obrigatória de quem está fugindo dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. É lá que Rick (Humphrey Bogart) vai reencontrar Ilsa (Ingrid Bergman), anos depois de terem se apaixonado e se perdido em Paris.



Casablanca – Trailer

Casablanca – Trailer 2



Crítica:



Da mesma forma que acredito ser um exagero considerar “Cidadão Kane” o melhor filme de todos os tempos, acredito ser um outro grande exagero considerar “Casablanca” o segundo melhor filme de todos os tempos. No entanto, seria muito injusto de minha parte atribuir uma nota inferior a 10,0 (dez) a este longa. Em primeiro lugar, temos aqui um roteiro, escrito a três mãos, extremamente bem elaborado (eleito o melhor roteiro de todos os tempos) que além de ser bastante complexo e envolvente, mescla vários gêneros como: romance, guerra, drama, policial e aventura sem jamais deixar um se sobressair sobre o outro. Contudo, não resta dúvidas de que a maior qualidade do roteiro sejam os diálogos contidos no mesmo. A maioria deles são inesquecíveis ("Beije-me como se esta fosse a última vez", "Este é o começo de uma nova grande amizade", "Toque-a novamente, Sam" e, como não poderia deixar de ser: "Se pensasse em você, provavelmente o desprezaria") e alguns deles são completamente imprevisíveis ("O que você estava fazendo há dez anos atrás?", "Eu estava colocando aparelho nos dentes!", passam-se alguns minutos, "Nos conhecemos muito pouco, eu não sei nada sobre o seu passado!", "Também não sei nada sobre o seu, a não ser é claro, que precisou consertar os dentes!"). A direção de Michael Curtiz também é simplesmente brilhante. Não só pela maneira como o excelente diretor trabalha com as câmeras, mas também pelo modo maduro com que este conduz o triangulo amoroso entre Rick, Ilsa e Victor fazendo com que o mesmo, em momento algum, soe piegas e se sobressaia mais que a trama política que o longa aborda (infelizmente, David Lean não conseguiu realizar o mesmo com “Dr. Jivago”, fazendo assim com que o romance entre Yuri e Lara se tornasse ligeiramente inconveniente naquela trama, que por sinal é ótima). Mas a maior qualidade do filme fica por conta da atuação de Humphrey Bogart, este que confere ao seu personagem Rick um tom de voz quase tão memorável quanto o que Marlon Brando emprestou a seu inesquecível Don Vito Corleone.



Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.



____________________________________________________________________

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Marlon Brando


Marlon Brando. Considerado por muitos o melhor ator de todos os tempos, servindo de exemplos para seguidores como Al Pacino e Robert deNiro, formando vários dos melhores papéis da história do cinema. É certo falar que um ator é um gênio? O que seria um gênio? Talvez Brando não acertou sempre, sim tivemos erros, mas quando acertou marcou profundamente o cinema em todo.

Filho de pais separados, Marlon Brando nasceu em Omaha, nos Estados Unidos, mas logo com 11 anos, sua mãe o mandou para viver na Califórnia. Já cedo, com a ausência dos pais em sua infância ele começou a se interessar por teatro, e se envolveu nisso. Brando estudou em várias escolas de teatro e nelas aprendeu uma técnica que virou um marco em sua carreira,e também na de vários atores,aprendeu a largar as atuações teatrais que existia na maioria dos atores e começar a atuar com movimentos espontâneos, movimentos que lembram as pessoas em suas vidas (a cena final de "Último Tango em Paris" reflete o que quero dizer).
O fato é que Marlon Brando começou a chamar a atenção na peça de Tennessee Williams: "Um Bonde Chamado Desejo", fez sucesso subretudo com o público feminino, onde as mulheres iam a loucura para ver aquele ator, e as oportunidades para o cinema não tardariam a aparecer, em 1950 ele atuou em "Espíritos Indômitos", mas foi em 1951 que veio a consagração.
Elia Kazan decidira levar a peça "Um Bonde Chamado Desejo", no Brasil "Uma Rua Chamada Pecado" para o cinema, e Marlon Brando foi convidado para reviver o papel de Satanley. "Uma Rua Chamada Pecado" virou uma marco na história do cinema e o elevou a status de astro de Hollywood,o que não era para menos,suas cenas com a já veterana Vivien Leigh são as melhores que um casal já fez em toda a história do cinema.O público se dividia entre a romântica e sonhadora Blanche e o selvagem e grosso Stanley. O sucesso do filme foi tanto que todo o elenco principal foi indicado ao Oscar, e o filme levou na categoria de Melhor Atriz, Ator coajuvante e atriz coajuvante, só Brando saiu de mãos abanando, mas não faria mal, o simples fato de conseguir atuar à altura de Vivien Leigh (que fez a maior atuação feminina da história do cinema) e não apenas servir de escada para ela já valera o trabalho.

"Uma Rua Chamada Pecado" foi o primeiro de muitos filmes dele com Elia Kazan, deixando de lado o tipo galã, em 1952 Brando seria novamente indicado ao Oscar por seu papel em "Viva Zapata!", onde interpretava o líder revolucionário mexicano, e recebeu uma nova indicação ao Oscar por seu papel como Marco Antônio em "Júlio Cesar", em 1953, também em 1953 ele virou ícone dos adolescentes por fazer um personagem rebelde e delinqüente em "O Selvagem", muitos consideram o filme subestimado, mas o fato é que foi um grande marco no início da década de 50.

Marlon Brando já tinha sua carreira sólida e carregava Hollywood na palma da mão,seus primeiros papéis foram os melhores possíveis,mas ainda assim precisava de algo que marcasse profundamente sua carreira,e sobretudo que tirasse aquele título de Sexy Simbol que ele haveria ganho com Stanley (que mulher não iria a loucura ao ver Brando ajoelhado na chuva gritando "Hey Stella!!!"?), em 1954 veio esse papel como o ex-boxeador e bandido Terry Mallon de "Sindicato de Ladrões", a atuação de Brando foi a melhor possível e não é para menos ,tudo o que ele faria no filme parece ser cuidadosamente pensado, o jeito de andar com a mão no bolso e por muitas vezes com cabeça baixa, o jeito irônico-agressivo que expressava em algumas cenas. O filme de Elia Kazan mostrou uma nova face de Marlon Brando para o público: "Você não entende,eu poderia ter classe,poderia ser um lutador,poderia ser alguém,ao invés de um vagabundo que é o que sou".O fato é que o personagem que denunciava seu próprio bando ficou marcado, tanto que o filme levou 8 Oscar, incluindo o esperado prêmio de Melhor Ator para Brando.

Depois de "Sindicato de Ladrões" a carreira de Marlon Brando decaiu de forma assustadora e ele, mesmo com Hollywood nas mãos, começou a experimentar o fracasso, seja na pele de Napleão Bonaparte em "Deserée" ou como um japonês em "Casa de Chá do Luar de Agosto", ou então com uma parceria com Frank Sinatra no "Eles e Elas", diziam que a dupla tinha química zero.

Porém em 1957, Marlon Brando voltaria a boa forma no subestimado "Sayonara", o romance dirigido por Joshua Logan, fez Brando ser indicado novamente ao Oscar, no filme ele interpreta um ás da aviação norte americana que está em missão no Japão, com uma noiva americana e cheio de preconceitos xenófobos, ele recrimina a todos os americanos que envolvem-se com japonesas, porém ele mesmo acaba se apaixonando por uma e começa uma das maiores histórias de amor de todos os tempos e o personagem de Brando mais uma vez não poupa de gestos naturais e ainda mais de irônias, "Diga a eles que dissemos Sayonara" é um exemplo claro disso,o filme teve êxito em bilheteria e 9 indicações ao Oscar, infelizmente hoje ele é esquecido pela maioria dos cinéfilos.

No início da década de 60 Brando cometeu dois grandes erros, o primeiro erro foi de demitir ninguém menos que Stanley Kubrick e se arriscar na direção de um filme. O resultado? "A Face Oculta", um filme excessivamente complicado e com um ritimo extremamente lento, o segundo grande erro foi o de recusar o papel principal de "Lawrence da Arábia",o fato é que o ator já tinha registrado sua marca,não importava a série de papéis sem graça que ele iria pegar em filmes como "Caçada Humana", "Sangue em Sonora" e "Candy". Outro filme que merece destaque especial foi "A Condessa de Hong Kong",o fracasso do filme foi claro na época,mas Brando teve a honra que poucos teriam:trabalhar no último filme de Charles Chaplin.

Ao final da década de 60 ele foi muito elogiado por sua atuação em "Queimada", Marlon Brando já era conhecido como ator difícil mas neste filme as brigas com o diretor foram tantas,que em determinado momentos Brando abandonou as filmagens,porém foi naquele papel que o ator recuperara parte de seu prestígio,mas apenas em 1972 que ele se recuperou totalmente com dois de seus maiores papéis

"Último Tango em Paris" é considerado o melhor cult-erótico, no filme do até então novato Bernado Bertolucci, Marlon Brando provou toda a polêmico ao interpretar um homem de certa idade que se encontra todos os dias com uma mulher em um apartamento deserto, onde têm pesadas cenas de sexo. O curioso é que um personagem sabe apenas que o outro é um ser depressivo proucurando algo em que se libertar,mas fora isso eles não se conhecem,nem o nome.Nesse filme Marlon Brando mostrou todo o seu talento,focou na tristeza e na agressividade de seu personagem,fez todos os seus movimentos sendo expressivos e até uma dança de tango em que seu personagem aparecia bêbado ele fez com maestria,e para quem viu o filme me responda. Que outro ator se importaria com o detalhe de grudar um chiclete na sacada? Marlon Brando fazia seu prório roteiro e nesse filme ele foi novamente indicado ao Oscar

"Farei uma proposta que ele não poderá recusar"
"Você vem a minha casa,no dia do casamento de minha filha e me pede para matar"
É dever de qualquer cinéfilo conhecer tais frases,assim como é dever de todos assistir "O Poderoso Chefão", nesse filme Marlon Brando não só apresentou a melhor atuação de sua carreira,mas também apresentou a melhor atuação masculina da história do cinema.Don Corleone é um marco não só no cinema,mas na cultura e na arte em geral. O jeito de falar, os movimentos com a mão. Tudo naquele filme gira de forma brilhante em torno do personagem de Marlon Brando, o interessante é que grande parte do roteiro foi improvisado pelo ator, e são detalhes que fazem a diferença.Brando é conhecido como um ator que sabe morrer em filmes, em "O Poderoso Chefão" ele chega ao ápice de seu talento na fatídica cena nas plantações,em que ele improvisou toda a seqüência final de Don Corleone, faltam palavras para descrever tal papel. E com ele Brando venceu pela segunda vez o Oscar, mas esse ele se recusou a receber como protesto pela descriminação de Hollywood em relação ao povo indígena norte-americano.

E os anos 70 continuam de forma brilhante para o ator, em 1976 ele faz uma grande parceria com o ator Jack Nicholson em "Duelo de Gigantes",e consegue ofuscar o grande Nicholson, em 1978 Marlon Brando ganha a quantia de 4 milhões para fazer "Superman", detalhe: Brando faz apenas o pai do super-herói e em 1979 faz uma nova parceria com Francis Ford Coppola (que também o dirigiu em "O Poderoso Chefão") em um dos melhores filmes de guerra já feito: "Apocalypse Now", nele Marlon Brando aparece apenas 30 minutos do filme e é o primeiro nome nos créditos.

A partir da década de 80, Marlon Brando se distanciou das filmagens,pegou trabalhos menores e apareceu pouco, ele já havia feito seu legado,seus últimos filmes foram apenas medianos,se destacam entre eles "Assassinato sob Custódia" de 1989; "Don Juan de Marco" de 1995 e "A Cartada Final" em 2001, seu último filme.

Em 2004 a lenda do cinema deixou esse mundo,Bertolucci disse que Marlon Brando morreu para se tornar imortal.Morrera um ator que representou como ninguém o cinema, seja como sexy simbol, como personagens históricos,como chefe de máfia,como homem moderno,como desajustado social,como romântico ou até mesmo como dançarino, Marlon Brando é o nome que representa o cinema de forma magistral, uma pessoa que até hoje carrega o título de melhor ator de todos os tempos, e que acho impossível alguém conseguir tirá-lo. E certamente um gênio!



____________________________________________________________________

domingo, 27 de janeiro de 2008

Crítica - Alien vs. Predador 2

Não fosse o meu bom-senso diria que certos roteiristas e diretores mereceriam sofrer de um tumor cerebral, mas aí eu pergunto, será que eles ao menos possuem cérebro? É assistindo a certas imbecilidades, tais como este “Alien vs. Predador 2, que concluo que há cada vez menos vida inteligente em Hollywood. Mas o que se poderia esperar da continuação de um filme que, por si só, já se revela uma grande porcaria? Se o longa original já se revela uma verdadeira perda de tempo, imagine então esta continuação que nem ao menos se propõe a contar uma estória? Ao menos o primeiro filme desta série (que infelizmente nos “presenteará” (mais do que nunca em toda minha vida coloquei aspas entre a palavra “presenteará” sarcasticamente) ainda com um terceiro episódio) conseguia divertir um pouco (muito pouco, diga-se) o espectador, esta continuação nem isso consegue, além de nos deixar completamente irritados com tamanha futilidade.







Ficha Técnica:




Sinopse: Com o surgimento de um temido alienígena que se reproduziu no corpo de um predador morto, humanos e monstruosos aliados predadores se unem numa batalha apavorante.



Alien vs. Predator – Réquiem Trailer


Crítica:


___ Você acha que os corpos encontrados na floresta têm algo a ver com o sumiço das duas pessoas que estamos procurando?” ___ Pergunta um policial a seu superior. O outro por sua vez responde: “___ Não sei, só sei que nada disso deveria estar acontecendo!” ___ Responde este a seu subordinado. É com diálogos sofríveis e imbecis como este que o roteiro (roteiro? Qual?) deste pavoroso “Alien vs. Predador 2 nos “brinda” (atentem para as aspas). Mas os aspectos negativos deste equívoco cinematográfico (que alguns ousam chamar de filme), que aparenta ter sido roteirizado por uma criança de cinco anos de idade enquanto esta encontrava-se defecando no banheiro da casa de sua avó materna e não tinha nada mais interessante para pensar na ocasião, não se resume apenas aos péssimos diálogos que possui. O problema maior com este lixo em forma de Sétima Arte (soa paradoxal citar a palavra “Arte” enquanto comento uma porcaria em larga escala tal como esta) é a ausência de uma estória. A situação se agrava ainda mais quando o roteiro (gargalhadas), a fim de suprir tal falta de estória, cria uma subtrama deveras ridícula apoiando-se em todos os clichês e estereótipos possíveis. Temos aqui o rapaz acanhado, apaixonado pela garota linda, voluptuosa e ninfomaníaca, mas que sofre nas mãos do ex-namorado ciumento que aparenta não ter nada de interessante para se fazer na vida, salvo é claro, atormentar a vida do rapaz e da garota. Mas aí o leitor me fala: “Oras! Este é o típico filme descerebrado, ele não tem intenção nenhuma de ser levado a sério! Não importam os clichês, os estereótipos e os diálogos, mas sim o entretenimento!”. Pois bem, avaliemos esta porcaria como entretenimento. Qual a função de um filme de suspense, analisando-o apenas como entretenimento? Assustar? Pois bem, este não assusta nem um cidadão afro-estadunidense que acaba de escapar de um atentado por parte da Ku Klux Klan. Os “sustos” contidos nesta infelicidade cinematográfica são extremamente forçados e previsíveis, ficando por conta das mudanças bruscas dos acordes da trilha-sonora.


Avaliação Final: 0,0 na escala de 10,0.


___________________________________________________________________

sábado, 26 de janeiro de 2008

Heath Ledger












Qual a única coisa capaz de ofuscar o brilho do anúncio dos indicados ao Oscar? Muitos imaginaram que fosse a greve dos roteiristas, mas parece que o destino pregou uma peça em todos e nos deixou atônitos. A morte prematura de uma estrela ascendente.


28 anos, bonito, talentoso e rico. Parece o perfil perfeito de uma estrela de Hollywood, que ganha milhões estampando sua imagem em blockbusters à toa. Mas Ledger fugia disso, parecia ser uma gota d'água no imenso oceano de futilidade de Hollywood. Era um ator instintivo, que interpretava com a alma, nos fazia viajar pelos conflitos e pela personalidade de suas personagens.


O auge veio com O Segredo de Brokeback Mountain, onde ele conseguiu a proeza de nos deixar na dúvida, afinal, Ennis Del Mar não parecia ser homossexual, ele se apaixonou pela pessoa Jack Twist, não pelo homem Jack Twist. O papel lhe rendeu uma indicação ao Oscar, que Ledger não ganhou. Mas a estatueta do careca dourado parecia só uma questão de tempo, com todo aquele talento e sabedoria para escolher os papéis, alguém duvidava que mais cedo ou mais tarde ele ganharia um Oscar?


Na última semana fui a uma sessão de “Eu Sou a Lenda” e para minha surpresa e satisfação me deparei com o trailer do novo filme do Batman, O Cavaleiro das Trevas. "Nossa! O que é isso?", eu ficava pensando ao ver Ledger na tela. Mas do que um simples vilão, o seu Coringa fez todo mundo ali esquecer da performance de Jack Nicholson no filme de Tim Burton; mais, fez todo mundo esquecer que o trailer era de um filme do Batman. A impressão que tínhamos era a de que o filme na verdade era do Coringa, e pela atuação de Ledger, não duvido muito que o seja. Que descanse em paz!


____________________________________________________________________